Como funciona um cronograma no MS Project?
O MS Project é uma ferramenta de gestão de cronogramas: você informa as atividades, quanto cada uma dura e como elas dependem umas das outras, e ele calcula datas, caminho crítico e impacto de atraso. O que separa um cronograma útil de uma barra colorida bonita são quatro conceitos.
1. Duração — e a diferença para trabalho
Duração é o tempo decorrido que a atividade leva. Trabalho é o esforço, em horas-homem. Concretar uma laje pode ter 40 horas de trabalho e 1 dia de duração, se a equipe for dimensionada para isso. Confundir os dois é o erro mais comum de quem começa — e ele produz cronogramas que não fecham com o efetivo disponível.
2. Vínculos — o que sustenta o cálculo
Uma atividade só se move sozinha quando está ligada às outras. Os quatro tipos de vínculo:
- TI (término-início): a seguinte começa quando a anterior termina. É o mais usado;
- II (início-início): começam juntas, com ou sem defasagem;
- TT (término-término): terminam juntas;
- IT (início-término): raro, usado em situações específicas de transição.
Vínculos aceitam defasagem: "alvenaria começa 3 dias depois de concluída a estrutura do pavimento" é um TI com lag de 3 dias. É isso que permite ao cronograma recalcular sozinho quando algo atrasa.
3. Caminho crítico
É a sequência de atividades sem folga — aquela em que qualquer atraso empurra o término da obra. As atividades fora dele têm folga e podem atrasar, dentro de um limite, sem afetar a entrega. Saber quais são as atividades críticas muda a prioridade do dia: é nelas que vale colocar equipe extra, e não naquela que está atrasada mas tem duas semanas de folga.
4. Linha de base
A linha de base é a fotografia do plano aprovado. Sem ela, o cronograma mostra só a situação atual e não há como dizer se houve desvio — cada atualização apaga a anterior. Com ela, é possível comparar previsto e realizado e medir o desvio em dias, por atividade.
Como o cronograma é atualizado
Atualizar é informar o avanço real: percentual concluído, datas efetivas de início e término, e replanejamento do que resta. A partir daí o Project recalcula e mostra o novo término previsto. A periodicidade importa mais que a precisão: cronograma atualizado quinzenalmente com estimativa razoável vale muito mais que um cronograma exato atualizado uma vez por trimestre.
Erros que tiram a utilidade do arquivo
- Atividades grandes demais, que ficam meses "em andamento" sem informar nada;
- Ausência de vínculos — cronograma que não recalcula quando algo muda;
- Excesso de restrições de data, que travam o cálculo;
- Cronograma sem linha de base, impossível de comparar;
- Arquivo que ninguém atualiza depois da primeira emissão.
Um cronograma existe para apoiar decisão, não para cumprir exigência contratual. A diferença entre os dois aparece no primeiro imprevisto.